A Obra de Graça Gonçalves deve ser compreendida numa perspectiva global que integra saberes e sentires a nível científico, pedagógico e artístico, sentimentos de responsabilidade individual e coletiva, um profundo conhecimento do Ser Humano, e uma capacidade de desenvolver as potencialidades criativas necessárias à afirmação pessoal e à transformação do mundo. A universalidade das linguagens, o jogo, a expressão poética e artística, bem como a diversidade de recursos que utiliza (palavras, objetos, imagens, espaços de experimentação, propostas de reflexão e interiorização de valores) permitem redimensionar continuamente o significado das suas leituras. A aparente singeleza das suas mensagens torna-as acessíveis a todos, o que permite aumentar a sua amplitude, tanto em termos quantitativos como qualitativos. Como mulher, autora e criadora tem a noção da impotência das palavras quando se trata de transmitir emoções, sentimentos e o indizível de todos os afetos, por isso recorre a silêncios, a espaços vazios de palavra, a imagens que se diluem, a traços interrompidos por um movimento, objetos do quotidiano e do festivo, pormenores estéticos capazes de desencadear novas simbologias, de reavivar memórias e sonhos num processo lúdico em que o “faz-de-conta” da vida se transforma no próprio viver.

Lugar dos Afetos

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